Paixão sem limites, prós e contras!
Por: Cássio Dos Reis, 02/02/2010 18:48:45

 

 

 Um sentimento tão especial não pode ser desprezado.

Um misto que se contradiz, ao mesmo  tempo envolto numa agradável embalagem de eterno enquanto dure, tem a  desvantagem da tênue  fragilidade.

A força de seu poder,  pode nos levar às nuvens, a devastação de seu término alavanca um sentimento de tamanha dor que poucas sensações têm sua plenitude.

A paixão espreita todos nós e nos faz suas vítimas quando menos esperamos...ou melhor, ela chega como quem não quer nada e vai  contaminando, provocando tremores de frio, lucidez turva da razão, inibição da ótica das coisas, revisão dos conceitos, o que nos torna dóceis, infantis e vulneráveis.

Quem já sentiu a força de uma paixão, sabe exatamente de que sensações  estamos falando.

Os cientistas a descrevem como uma descarga bioquímica que transporta pelas entranhas de nosso ser um misto de adrenalina e outras substâncias secretas, que produzem uma confusão inebriante, como o porre da uma misteriosa bebida.

A sensação é maravilhosa, sentimo-nos nas nuvens, a felicidade fica tão explícita que todos ao nosso redor a percebem de imediato,  o mundo se transforma num arco-íris, com direito a pote de ouro no final.

As variáveis são enormes, possibilitando ainda alusão a caprichos do inconsciente, que buscam na paixão a realização de um desejo não realizado, uma situação desconhecida, evocada num passado distante e, muitas vezes, negado, não importando como, o sentimento é único.

Mas, como tudo que é bom  dura pouco, tem ela seus aspectos positivos e negativos.

Os positivos  aparecem  durante o torpor da visão de um mundo maravilhoso, o sentimento deita e rola, a sensação de felicidade parece realmente não ter fim.

Se for a  pessoa que fará de sua vida um sonho,  é como  tirar a sorte grande, buscando a intimidade ideal no desabrochar do verdadeiro amor.

Os aspectos negativos aparecem quando, ao findar da mágica, só resta a sensação de um sentimento que não se renova, no momento que temos a exata medida do resultado zero e da verdade do amor cego, que era muito bonito, mas que, quando se torna real, não consegue vislumbrar nenhum atrativo, aquilo que parecia se encaixar como um delicado  quebra-cabeças, não passa de um borrão na lembrança.

O sentimento de ter sido usada, do tempo perdido e dos projetos frustrados...Como se passasse de uma alucinação,  na exata dimensão de um sonho que acabou num solavanco assustador.

Juntar os caquinhos nem sempre é a tarefa mais fácil e, muitas vezes, uma das mais perversas, necessitando até de acompanhamento psicológico para salvar  o resto do que ficou.

O amor não  dura o tempo todo da mesma maneira, se transmuta e precisa de cuidados para que o sentimento seja o tempo todo resgatado e assim possa manter o relacionamento como uma síntese de desejo e afeição.

A paixão, ao contrário do amor, dura intensamente por um tempo muito curto e a estabilização no amor vai se dando na medida em que os amantes passam a ter uma visão real da verdade do outro.

A maturidade do envolvimento afetivo consegue suportar a frustração de não conseguir ver no outro aquela perfeição ambulante.

A dificuldade a ser superada se dá quando  este sentimento não consegue se reorganizar e o ajuste de um novo relacionamento terá que contar com a realidade que tinha sido mascarada.

Todos nós queremos viver um grande amor e se, de brinde, vier uma grande paixão, melhor ainda. Este sentimento, embora contraditório, é bom à beça  e ninguém quer se ver  livre de o sentir, mesmo que seja uma única vez.

De qualquer forma, não podemos desprezar os relacionamentos que, sem os arroubos de uma grande paixão, vão caminhando, lentamente se solidificando, sem  a dimensão e o entusiasmo de uma cinematográfica conquista, nem do sentimento furacão que parece não ter fim.

Sólidos e intensos, como diluindo a paixão, a tornam eterna.


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